Como foi viajar para o Egito em família com crianças

Por: Jaqueline

Uma de nossas queridas famílias de viajantes enviou um relato incrível para quem está pensando em viajar para o Egito. Agradeceram pela organização do roteiro, hotéis escolhidos e guias locais que os acompanharam nessa viagem: “É isso que faz toda a diferença numa viagem dessas!”, disse Jaqueline.

Agradeceram também por todo nosso empenho em deixar o pai tranquilo, já que estava preocupado com a segurança do destino e teve muitas dúvidas antes de embarcar nessa aventura.

Esse é nosso trabalho e o resultado dele vocês podem encontrar nesse relato maravilhoso!

Jaqueline é uma mãe muito preocupada em mostrar o mundo de uma forma rica e profunda para suas três filhas, então ela está sempre antenada nos livros e informações que possam enriquecer ainda mais a viagem.

É um privilégio receber esse presente generoso e poder dividi-lo com outras famílias.

Muito obrigada querida Jaqueline e até a próxima!

“Em janeiro deste ano enfrentamos um dos nossos maiores receios e resolvemos viajar com nossas filhas (gêmeas de 12 anos e a caçula de 11) para o Egito. Meu marido e eu já havíamos feito uma viagem para lá durante o verão quando éramos recém casados. Quase morremos de calor. Agora escolhemos visitar esse país no inverno, uma escolha bem mais acertada.

É impossível não ficar intrigado pelo Egito. Minhas filhas já eram fascinadas por este país desde pequenas quando que leram “O Agito de Pilar no Egito” da Flávia Lins e Silva e esse fascínio só aumentou quando descobriram os livros da família Kane de Rick Riordan, que aborda a mitologia com muita aventura para pré-adolescentes.

Elas já conheciam dezenas de deuses e suas funções, sabiam das tradições do Egito antigo e tinham uma noção muito boa de sua geografia e história. Quando voltamos da viagem, eu assisti a novela “Os Dez Mandamentos” numa verdadeira maratona. Aparentemente não se trata de um relato fiel à história, mas adorei assistir a primeira temporada que acontece quase que inteiramente no Egito com a suposta relação entre Ramsés II e Moisés. Ramsés II deixou uma grande quantidade de monumentos e templos que ainda podemos apreciar nos dias de hoje.

Fomos recebidos pelo nosso guia, que nos levou aos monumentos mais importantes, nos mostrou detalhes dos entalhes dos hieróglifos em alto e baixo relevos, nos contou histórias encapsuladas naquelas paredes construídas e esculpidas há milhares de anos. Ele transformava minhas filhas em personagens da mitologia egípcia, envolvendo-as nas histórias, transformando-as em deusas, depois múmias. Elas riam, se divertiam. Fascinante!

E as pirâmides? São realmente imponentes. É inacreditável como a cidade foi se aproximando desses monumentos. Parece até um cenário de filme. Só que real.

Também vimos cenas do cotidiano dos egípcios, dos hábitos atuais. Com certeza completamente diferentes do que existiu ali há 5000 anos!

O Cairo é bastante caótico, mas não nos sentimos ameaçados em momento algum. O nosso guia era muito cuidadoso, sem nos privar dos nossos momentos em família. Policiais sempre param os carros de turistas para um controle que parece bem ineficiente. Mas também não causa nenhum dano.

Depois de alguns dias no Cairo, fizemos um cruzeiro pelo Nilo – um banho de cultura. O Nilo dividia o mundo dos vivos (margem leste) e dos mortos (margem oeste). Passamos por diversas cidades e povoados contendo monumentos, tumbas, colossos, templos: Luxor, Hatchepsut, Philae, entre muitos outros.

Cada templo é visitado de uma forma diferente – de charrete, de trenzinho, o que só torna a experiência mais autêntica.

E mais histórias, mais descobertas, mais belezas. Não faltaram encantadores de serpentes lado a lado com os vendedores ambulantes. Além da oportunidade de ver a tecelagem de tapetes, a fabricação de peças de alabastro, lojas com vidrinhos lindos e essências irresistíveis. E apreciar a comida que nos é muito familiar. O falafel é maravilhoso e se tornou obrigatório no café da manhã, junto com um suco da manga mais doce que já provei. Todos os sentidos ficam aguçados no Egito.

Ao chegar em Assuã, nós decidimos fazer um passeio a uma aldeia Núbia, um povo que vive no sul do Egito. Os Núbios não se misturaram aos demais egípcios ao longo dos milhares de anos em que conviveram entre guerras e paz e mantém suas características físicas e culturais isoladas. A aldeia que visitamos era extremamente pobre. Mas o passeio foi riquíssimo em cultura e novos conhecimentos para nossa família. E confesso que adorei a oportunidade de andar um pouco mais nos simpáticos dromedários.

As cores das casas núbias são vibrantes e contrastam muito com os tons de areia (literalmente) no Egito. As pinturas das casinhas são lindas e delicadas. Realmente exóticas.

As tatuagens de henna que fizemos deixaram uma bela lembrança nas nossas mãos por vários dias.

Como não podia deixar de ser, nossa família visitou o Old Cataract Hotel, onde Agatha Cristie escreveu seu famoso “Morte no Nilo”. Ao longo do cruzeiro nós fizemos questão de ler esta história que até tem uma protagonista com o meu nome, Jaqueline! Não vou falar mais nada para não dar nenhum spoiler, mas quando pudermos assistir a uma nova versão do filme, tenho certeza que iremos reviver os momentos deliciosos de nossa linda viagem ao Egito.

Muita coisa continua sem explicação. Ou melhor, ainda estamos incrédulos com as explicações que ouvimos, com o que aprendemos. Como foram feitos aqueles hieróglifos perfeitamente entalhados na rocha? Um trabalho primoroso, com muitos detalhes, sem erros.

Sem contar nas próprias construções, nas múmias. O que realmente aconteceu com este povo com tanto conhecimento, tanto poder?

Visitar o Egito nos leva a uma viagem no tempo incrível. É uma experiência única e imperdível. Para completar a nossa experiência cultural, comprei a ‘Trilogia do Cairo’, do Prêmio Nobel de Literatura Naguib Mahfouz. Vou precisar de mais uma maratona para ler as mais de 1300 páginas. Mas tenho certeza que vai valer a pena!”

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