Do medo da separação ao prazer da presença: o que vivi nas viagens com meu pai

Do medo da separação ao prazer da presença: o que vivi nas viagens com meu pai

Trabalho no Grupo Viajar, onde criamos roteiros personalizados para famílias que buscam mais do que férias: querem viver experiências com sentido, conexão e presença real entre pais e filhos. E, nesse contexto, eu poderia falar aqui sobre dados, tendências ou os benefícios comprovados das viagens na infância — mas hoje, quero abrir um espaço mais íntimo. Compartilhar um pedaço da minha história. Porque, para mim, o que a Viajar com Crianças promove nas famílias não é apenas um conceito profissional. É algo que eu vivi na pele, e que mudou profundamente minha relação com meu pai.

Meus pais se separaram quando eu ainda era muito pequena. Minha ligação com a minha mãe sempre foi intensa, quase simbiótica. Tinha dificuldade de ficar longe dela, mesmo que por curtos períodos. Gostava do meu pai, mas sofria muito quando chegava a hora de me despedir da minha mãe para passar o final de semana com ele. Era um sofrimento silencioso, mas que nos atravessava – a mim, à minha mãe e, principalmente, ao meu pai.

Foi nesse cenário delicado que começaram nossas viagens. E foi nelas que a nossa relação se reinventou. Hoje, quando olho para trás, vejo claramente: viajar com meu pai foi o que nos aproximou de verdade. Foi o que me fez descobrir quem ele era – e, talvez, o que fez ele se reencontrar como pai.

Separações que doem – e conexões que curam

Durante muito tempo, minha mãe foi meu porto seguro. E o mundo fora desse porto parecia sempre perigoso ou distante demais. Quando era pequena, qualquer separação – mesmo que temporária – se tornava motivo de dor. Meu pai, mesmo presente, carregava o peso de não ser “a casa”. Ele me acolhia, me amava, fazia o melhor que podia. Mas havia um abismo invisível entre nós: o da ausência materna.

Foi então que ele começou a planejar viagens para passarmos mais tempo juntos. Às vezes só nós dois. Outras vezes, com uma turma de amigos, incluindo outras crianças. Sem perceber, fui me afastando fisicamente da minha mãe por distâncias cada vez maiores. E, curiosamente, o sofrimento da separação foi diminuindo.

Porque o encantamento pelos lugares, pelas culturas, pelas aventuras, tudo isso me preenchia de um jeito novo. E eu já não queria mais que a viagem acabasse logo.

Viajando com o que importa: presença

Com o tempo, entendi que não era só sobre os destinos, mas sobre estar com o meu pai – realmente com ele. As viagens que fizemos juntos foram uma oportunidade de convivência sem distrações. Foi nesses momentos que percebi a delicadeza da sua atenção, o cuidado nas pequenas coisas, o tempo que ele dedicava só para mim. E isso me marcou profundamente.

O que facilitou tudo, na época, foi o fato de ele ter contado com ajuda profissional para organizar cada roteiro. Ele não precisava se preocupar com imprevistos, horários ou reservas. Sua única obrigação era estar presente. E isso fez toda a diferença. Porque ali, entre uma trilha e um passeio de barco, entre um almoço e uma conversa sem pressa, eu reconheci quem ele era. E ele também pôde me ver – além da saudade que eu sentia da minha mãe, além do medo, além do silêncio.

Viagens em grupo: acolhimento e vínculos que se multiplicam

Nem sempre viajamos só nós dois. Muitas vezes, optamos por roteiros em grupo – com outras famílias, outras crianças. E isso também foi muito poderoso. Porque, para um pai ou mãe solo, estar em grupo é se sentir acolhido. É dividir a jornada com outros adultos, é ver os filhos criando laços espontâneos, é descansar sem carregar tudo sozinho nas costas.

Em grupos bem acompanhados, como os que organizamos na Viajar com Crianças, a viagem vira um espaço de respiro – onde os vínculos familiares se fortalecem, mas também se expandem. Onde a criança se sente livre para explorar, brincar, experimentar. E onde o adulto tem suporte para viver esse tempo com leveza, mesmo que esteja ali sem um parceiro ou parceira.

O que fica depois de uma viagem assim

Hoje, olhando para trás, sei que essas viagens foram muito mais do que férias. Foram pontes. Foram os momentos em que minha relação com meu pai deixou de ser formal, protocolar, mediada. Passou a ser viva, íntima, afetiva. Eu pude conhecer o pai que ele era – brincalhão, curioso, cuidadoso. E ele pôde me ver crescer, se surpreender comigo, fazer parte de verdade da minha história.

É por isso que acredito tanto no que fazemos aqui. Porque sei que uma viagem em família pode, sim, transformar vínculos. Pode curar dores silenciosas, criar novos começos, abrir espaços de presença que a rotina tantas vezes engole.

A nossa curadoria é sobre isso

Na Viajar com Crianças, não vendemos pacotes de férias. Oferecemos tempo de qualidade. Oferecemos escuta, sensibilidade, presença. Nossos roteiros são pensados para mães solo, pais solo, famílias inteiras – com propostas que respeitam as necessidades reais de cada configuração familiar.

Se você é pai ou mãe e deseja criar um momento só seu com seu filho, estamos aqui para ajudar. Não com fórmulas prontas, mas com cuidado genuíno. Porque sabemos, pela nossa própria história, o quanto uma viagem pode ser muito mais do que uma viagem.